o apartamento grande concede espaço, e isso é bom, mas com tanto disponível cabe também a solidão. não fosse a existência dos gatos brincalhões, a sala mais pareceria um campo aberto, sem sombra, numa tarde quente de verão.
um dos grandes trunfos, no entanto, é a janela, que recebe a luz do sol e a companhia da lua; sente o calor do dia e o frescor da chuva; os ventos, os insetos e o céu estrelado; talvez por tudo isso não há cortina na tua janela.
por que tapar a vida que invade o teu espaço? ou melhor, se há espaço como impedir a vida?
tudo é vida. até mesmo para a cortina que inexiste. ela apenas ali não foi colocada para que o vento entre sem precisar de permissão. ou para que a janela seja uma obra de arte em constante transformação. não há limites para a arte no céu.
talvez por isso dizem que há lá um paraíso. e se estiverem certos, não faz sentido tapar com um pedaço de pano o plano paradisíaco.
que a cortina esteja na janela de quem não percebe que não existem janelas! pois elas são sempre oportunidades. são presentes. na verdade são portas.
toc, toc, posso entrar?
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